Porto Alegre, 12 de agosto de 2026.
Estimada Comunidade Judaica de Porto Alegre
Querida Comunidade da União Israelita (UIPA).
UIPA é união. E é disso que precisamos agora.
Fui dormir na noite de 10 de agosto de 2026 sobressaltado com a imensa responsabilidade de presidir doravante, e até o final dessa gestão, a entidade mater da nossa comunidade, em atividade ininterrupta desde o dia 05 de outubro de 1910, quando fundada.
O motivo era mais do que justo, embora tenha adiantado, para nós da UIPA, alguns processos. Em razão do casamento da filha do nosso agora ex-presidente Rogério Friedman com o filho do nosso Rabino, Pablo Schejtman, um indiscutível momento de apogeu em nossa sinagoga, motivações exemplares de cunho extremamente republicano fizeram Rogério renunciar ao cargo, em prol de uma cultura de transparência e sanidade dos processos decisórios que ele próprio, com sua diretoria, introjetou na UIPA.
O período de mais de 06 anos do Dr. Rogério Friedman a frente da nossa instituição, entre tantos aspectos dignos de nota, foi marcado pelo respeito inarredável ao princípio do colegiado, com uma única exceção: esta renúncia. Esta foi inapelável pela relevância dos motivos.
O Dr. Rogério deu aula também na saída, e agora, não mais Presidente, já se posiciona como nosso primeiro e mais entusiasmado voluntário, além de grande amigo de todos nós.
Quando acordei no último dia 11 de agosto, entendi que não foram as horas de sono que me prepararam para o desafio. Além de meu pai ter me ensinado a encarar tudo de frente, estou me preparando para isso como consequência natural de pertencimento desde o começo da década de 1990, quando cheguei na Barros Cassal, n. 750 para ter aulas preparatórias para o vindouro Bar-Mitzvah.
Os tempos eram outros, o mundo era outro, a UIPA era outra. Naqueles tempos, os planos econômicos do país deixaram trancadas em conta, sem direito a resgate, as economias dos meus pais. E toda a comida do meu Bar Mitzvah, realizado no átrio da sinagoga principal onde hoje é o Kidush, foi feita pela minha mãe e sua grande amiga Cleci Zaltzman, de bendita memória.
O Presidente daquela época, inesquecível Dr. Boris Wenstein, recitou salmos e uma poesia de sua autoria.
Minha tia Clara Trombka, de bendita memória, ficou “de guarda” impedindo que os convidados atacassem a comida antes de terminar minha Haftarah, escolhida a dedo para ser longa pelo Rabino Shmuel, cuja voz melodiosa jamais esqueci.
E meu tio Jairo Trombka, escondido, filmou tudo do mezanino – porque filmagens eram proibidas naquela época.
Essas pequenas reminiscências servem não apenas para lembrar a todos de suas próprias vivências e memórias, mas para expressar que se não fosse pelo trabalho voluntário de tantos, pelas doações de tempo e dinheiro, pelos esforços comunitários, pela organização institucional e pela renovação de processos cortando na própria carne, enfim pelo apreço ao judaísmo em seu mais amplo espectro, momentos como o lindo casamento do dia 08 de agosto, sob a Chupá, segundo as tradições e a lei judaica, não existiriam.
Fato é que, num esforço hercúleo de gestão, um verdadeiro choque de adequação aos novos tempos, mesmo passando por pandemia e por enchente, nossa sinagoga e nosso cemitério estão pujantes, ativos e ao dispor da comunidade. O Salão de festas da barros Cassal 750, imenso e belíssimo, não deve absolutamente nada para nenhum clube de Porto Alegre, mas custa muito menos aos usuários. Assim como a sala de eventos e outros tantos espaços dessa entidade incrível.
E é por isso que, no tempo que me cabe, eu me permito sonhar. Estive recentemente visitando as comunidades judaicas de Buenos Aires e Curitiba. Há peculiaridades, mas Porto Alegre pode, sim, fazer florescer o judaísmo na América do Sul.
Desse lugar de fala, recuso criar querelas com os meus pares, e com todos aqueles que em algum momento histórico já fizeram parte desta casa. Quero estender meu abraço, minha colaboração e render meu respeito a todas as sinagogas da nossa cidade.
O sol brilha para todos.
À Federação Israelita do Rio Grande do Sul e ao Colégio Israelita Brasileiro, em cujo nome registro nossa disposição firme de estreitar laços institucionais com toda a nossa comunidade, o meu reconhecimento.
Para as nossas Tnuot repito especialmente: o sol nasce para todos. UIPA é União. Aqui também é a casa de vocês.
Enfim, convido a todos para sonhar juntos, com os pés no chão e a mão na massa, aqui na UIPA. Tá difícil de estacionar? Vem de aplicativo de transporte ou de Táxi. Como se faz para ir no Teatro Araújo Viana ou na reitoria da UFRGS? Aqui não é mais difícil.
Temos muito a fazer ainda, muitas memórias a preservar e criar outras novas. E faremos. Mas queremos fazer isso com nossa gente no lugar que é seu.
O tempo é propício. Dentro de algumas horas estamos começando o mês de Elul. Vamos ouvir o Shofar interior e atender o chamado da alma. Em menos de 30 dias estaremos vivendo os Iamim Noraim com intensidade e expressando o nosso judaísmo.
Criamos condições facilitadas de acesso para as Grandes Festas, contate a secretaria. Aproveite também para ser sócio. Seja parte e expresse seu judaísmo com orgulho, em comunidade. E jamais esqueça: “Mais que o povo judeu cuida do Shabat, é o Shabat que cuida do povo judeu”. Toda a sexta-feira às 19h30 temos Kabalat Shabat com kidush festivo. Esperamos você e sua família.
Por fim, estarei ao dispor dos nossos associados, mediante agendamento em secretaria, nas terças e quintas-feiras pela manhã.
Desde já, antecipadamente,
Shabat Shalom,
Deivi Trombka
Presidente
